Um Anel para a todos dominar... é o que veio à minha cabeça imediatamente quando eu li a palavra de hoje.
Senhor dos Anéis é uma obra que faz parte da referência de quase todo jogador e mestre de RPG que eu conheço, mas pra mim ela tem uma importância a mais, porque foi a obra que me salvou do ranço por leitura que eu desenvolvi graças ao ensino médio.
Eu só fui ler a obra de Tolkien após a confirmação de que um filme baseado na obra iria sair. Nessa época eu já jogava RPG e, como a minha formação cultural de adolescência tinha sido em Sherlock Holmes, Star Trek e De Volta para o Futuro (e muito, muito Tokusatsu) eu preferia aventuras de investigação e ficção científica.
Minha referências de fantasia eram aqueles episódios, repetidos à exaustão, de Caverna do Dragão e alguma coisa das lendas Arturianas. Foi por convivência com outros jogadores que eu fui conhecendo a fantasia medieval, mas nunca tinha chego nem perto de um livro do gênero, ao contrário de todos os jogadores do meu grupo que, não só tinham lido Senhor do Anéis, mas eram grandes fãs da Terra-Média.
E eles falavam muito sobre o assunto, discutindo teorias, origens, lendas e toda aquela riqueza que o cenário da Terra-Média apresenta. Muito antes de eu tocar um livro de Tolkien eu já havia ouvido falar, pelo menos superficialmente, de Aragorn, Gandalf, Galadriel e Sauron (que na época eu acreditava ser algum tipo homem-dinossauro).
Aí veio o anúncio do filme, todo mundo falando cada vez mais do assunto e me incentivando a ir atrás de ler o bendito livro. Pra alguém que cresceu lendo coleção vagalume, e desistiu da leitura depois de ter que encarar um Graciliano Ramos, encarar uma história dividida em 3 livros somando mais de 500 páginas era um ato de coragem. Mas eu decidi que não queria ser o único a ficar boiando nas conversas, nem conhecer uma obra que parecia tão importante através de uma adaptação, então comprei os livros e comecei a ler.
Só quando eu comecei a ler que percebi o quanto eu precisava dessa história...
Hoje em dia eu vejo muita gente reclamando que o Tolkien tinha uma escrita muito detalhista e meio arrastada, principalmente no início, mas eu já estava me divertindo desde o começo do livro com as preparações da festa do Bilbo, suas trolagens pra cima dos Sacola-Bolseiros, e sua grande desaparição após o discurso de aniversário. Até o doido do Tom Bombadil eu achei divertido. Pra mim aquilo era uma coisa totalmente sem precedentes.
E por ter já ouvido falar tanto daquele lugar e de seus grandes heróis eu tinha uma sensação diferente ao conhecer certos personagens. Quando, por exemplo, Gandalf entra na história ele não é só mais um personagem: ele é uma lenda! Uma lenda da qual eu havia ouvido pedaços de histórias e murmúrios sobre os seus feitos. A mesma coisa quando Passolargo revela que sua identidade verdadeira é Aragorn, líder dos Guardiões do Norte. Eu lembro de ter pensado: "Caraca! Então ESSE é o tal Aragorn que tanto falam!"
Pra mim não era só a sensação de estar conhecendo um novo mundo e lendo uma história sobre ele. Eu realmente me sentia como um quinto hobbit, conhecendo um mundo sobre o qual eu achava fazer parte, mas não conhecia de verdade; encontrando lendas que havia ouvido falar, mas jamais imaginou conhecer cara-a-cara...
A história da Guerra do Anel passou voando pelos meus olhos e as, que antes eram assustadoras, mais de 500 páginas foram lidas sem eu sequer sentir. Quando eu terminei o livro, com Sam fechando a porta da toca atrás de si, eu tinha certeza absoluta de que essa era a história que eu sempre quis ter lido. E também que ler pode ser prazeroso, e não só uma obrigação chata.
Não acredito que te conheço a tanto tempo e NEM FAZIA IDEIA de que você não gostava de ler até perto do lançamento dos filmes do Senhor dos Anéis!
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