03 agosto 2019

#RPGaDay2019 - Dia 2: Unique


Eu adoro artefatos! Usar objetos de imenso poder que os personagens devem encontrar para cumprir um objetivo, ou para não cair nas mãos erradas, é um clichê bastante recorrente, mas que não perde o seu charme. Arthur tem Excalibur, Senhor dos Anéis tem o Um Anel, Indiana Jones já achou a Arca da Aliança e o Graal e a lista continua.

Artefatos são, por sua natureza, itens únicos. Não existe outro igual e aquele que o possui também se torna, de alguma forma, alguém sem igual.

Mas como a palavra-tema de hoje do RPG a Day é Único eu pensei em um artefato que tenha como poder a própria definição de Único: "Sem outro igual; que é só no seu gênero, na sua espécie: filho único."

Vamos ver o que sai...


A Tiara do Usurpador de Rostos

Alaor Secundus Thraxter era, como o nome sugere, o segundo filho do mago Alaor Thraxter e também o segundo irmão de quadrigêmeos idênticos, todos chamados Alaor Thraxter, tendo como diferença apenas o nome do meio como indicação de sua ordem de nascimento no parto do qual sua mãe não sobrevivera.

As semelhanças entre os membros da família Thraxter não paravam aí. Ele e seus irmãos, chamados simplesmente de Primus, Tercius e Quatrius, também tinham uma semelhança inegável com seu pai, quase como se fossem versões mais jovens do mago. E, por imposição de Alaor, todos também estudavam para se tornarem magos como ele.

Uma única diferença, aparentemente, separava Secundus de seus irmãos gêmeos: ele era o único que achava torturante não ter uma identidade própria e ser apenas um de muitos. Muitas vezes ele tentou fugir da vigilância de seu pai e se aventurar em outros ramos de estudo, ou mesmo fazer pequenas mudanças estéticas. Essas atitudes, mesmo as mais inofensivas, eram punidas severamente por Alaor.

Após anos de tentativas frustradas de criar para si alguma identidade própria Secundus começou a afundar numa espiral de insanidade que não foi percebida pelos demais "Alaores". Para agrado de seu pai a rebeldia deu lugar a uma dedicação profunda pelo ofício da família. Secundus, no entanto, tinha seus próprios planos. Ele buscava uma maneira de obter, através da magia, aquilo que seu pai havia lhe negado: o direito de não ser uma mera cópia dos demais membros da família Thraxter.

Após muitos anos de pesquisa, pactos profanos e experimentos ele conseguiu encantar uma gema que foi engastada numa tiara de prata e adamantina. Ao colocar a tiara, no entanto ele sentiu pouca diferença, pelo menos não até se aproximar de seu irmão Tercius.

Ao entrar no campo de visão de Secundus, Tercius imediatamente foi acometido de dores terríveis. Seu rosto começou uma transformação horrenda em que ele perdia rapidamente suas feições, como se seu rosto e pele regredisse para um tipo de rascunho de carne. Instintivamente Tercius tentou conjurar uma magia para se defender e descobriu que seus poderes se foram. Horrorizado, Secundus viu seu irmão morrer na sua frente, reduzido a um boneco de carne sem feições ou identidade.

Ele tirou a tiara, mas não havia mais tempo para salvar Tercius. Alaor apareceu para ver o que havia acontecido e em sua fúria pela morte de Tercius revelou o que Secundus e seus irmãos realmente eram: uma variação da criatura alquímica conhecida como homúnculo, criados para que Alaor usasse como um corpo sobressalente caso morresse. Mais do que uma maneira de voltar à vida, Alaor tencionava unir os quatro gêmeos em um "receptáculo superior" somando os poderes mágicos dos quatro aos seus próprios.

Ao saber disso a descida na espiral de insanidade se completou para Secundus. Ele recolocou a tiara, desta vez fundindo-a à sua própria carne. E o destino de Tercius se repetiu com Alaor e os outros irmãos.

Com os poderes da tiara e seus próprios conhecimentos de magia Secundus criou um reino de terror que perdurou por anos. As lendas dizem que seu exército era composto de homens que tiverem seus rostos roubados e qualquer um que ousasse enfrentá-lo de repente se via desprovido de suas habilidades mais valiosas.




A Tiara de Secundus se parece com uma coroa, impecavelmente construída em prata e adamantina, com uma gema de ametista engastada no centro. Qualquer habilidade que permita detectar maldade ou magia mostrará que a tiara a exala ambas em abundância.

Ela não exerce qualquer efeito a não ser que seja colocada. Personagens invejosos ou que tenham o desejo de se provar acima dos demais em qualquer aspecto sentirão uma tentação quase irresistível de usar a tiara (um teste com um alto redutor ou dificuldade é necessário para resistir e ele deve ser repetido diariamente enquanto a tiara estiver ao alcance do personagem).

Uma vez colocada a tiara se funde à pele e crânio do personagem e não pode ser retirada sem causar danos letais. A partir daí ela começará a fazer aquilo para o que foi criada: tornar o seu usuário um ser Único em todos os aspectos possíveis.

Qualquer criatura que compartilhe raça, classe, talentos inatos, habilidades especiais ou outros aspectos rapidamente começa a perder essas habilidades. A tiara não neutraliza as habilidades diretamente, mas causa dano em recursos que seriam necessários para usar essas habilidades, sejam atributos, pontos de fadiga, slots de magia ou mesmo dano puro e simples, queimando e deformando a pele, atrofiando músculos, envenenando o sangue e o que mais for necessário para que o usuário da tiara seja o único a possuir essas habilidades.

Esse ataque é rápido e pode debilitar totalmente um alvo em menos de um minuto, ou até matar se as semelhanças forem muito significativas. Via de regra qualquer um que compartilhe a raça/espécie do usuário corre o risco de morrer uma vez que a tiara tentará deformá-lo a ponto de ficar irreconhecível como um membro daquela espécie. Outras semelhanças tem menos chance de serem letais. Alguém de outra raça que compartilhe a cor dos olhos, por exemplo, ficará cego apenas.

A tiara afeta qualquer criatura que o usuário possa ver e que esteja perto o bastante para que ele consiga distinguir traços faciais (até 50m, talvez 100m). Ele não precisa manter o olhar no alvo, basta que ele entre em seu campo de visão uma vez.

Secundus desenvolveu a habilidade de fazer a tiara copiar habilidades de um alvo escolhido. Para isso funcionar ele precisa comandar a tiara ativamente e precisa fixar o olhar no alvo. Testes de resistência podem evitar o efeito, mas se conseguir o usuário passa a ter a habilidade do alvo e este, devido a recém semelhança, passa a sofrer os efeitos anteriores da tiara. Se o alvo morrer a habilidade copiada se torna permanente no repertório do usuário.

A tiara ignora qualquer característica que possa ser aprendida ou que não faça parte da essência do alvo como recursos financeiros, status social, perícias e treinamento. Assim, um mago não precisa se preocupar com quais magias estudou, mas se o usuário tiver o mesmo "talento" que lhe dá acesso a magia a tiara irá atacá-lo para que ele não seja capaz de usá-la.

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