30 agosto 2019

#RPGaDay2019 - Dia 30: Connection

Conexão é um dos motivos de eu estar preferindo investir em campanhas do que jogar aventuras one-shots, ultimamente. Durante boa parte dos últimos anos eu investi muito mais em aventuras de uma ou duas sessões, principalmente pelo desejo de experimentar vários sistemas diferentes. Mas, desde abril deste ano, e também o ano passado se contar uma campanha que eu estava mestrando online, eu tenho mestrado no formato de campanha e a palavra de hoje talvez expresse o motivo de eu estar muito mais inclinado a esse modelo.

A cena é clássica: os jogadores acabaram de fazer seus personagens, ou escolheram entre alguns personagens preparados de antemão pelo mestre, e a aventura vai começar. E aí o mestre começa com o seu primeiro problema: como juntar esses personagens de uma forma coerente e, principalmente, rápida, para que a aventura possa finalmente começar. E lá vai alguma solução forçada como o memético "velhinho da taverna" ou o bastante comum "vocês são velhos conhecidos que acabaram de se reencontrar".

Essas soluções, embora práticas e até coerentes em termos narrativos, não criam a conexão necessária para que os personagens ajam como um grupo. Se estiverem usando personagens prontos existe ainda a questão da conexão entre jogador e personagem. Claro que às vezes acontece, mas acaba sendo mais sorte do que outra coisa. A obrigatoriedade de criar um união de grupo logo nos primeiros minutos de jogo, pra então partir para a aventura em si também é um problema que me incomoda. Em muitas ocasiões uma boa parte da sessão foi gasta criando motivos para os personagens trabalharem juntos, sendo que não haveria uma oportunidade de continuar com aquela aventura em outra ocasião.

Tendo já estabelecido que aquela é apenas o início de uma série de aventuras esse tempo de aclimatação dos jogadores com os personagens, e dos personagens uns com os outros, não é mais um problema, na verdade torna-se uma parte essencial da narrativa e da diversão.

Mesmo que as primeiras sessões sejam meio quebradas, aos poucos, de sessão em sessão, vai se estabelecendo uma dinâmica natural na mesa: os jogadores começam a conhecer ainda melhor os seus personagens e explorar coisas novas, os personagens começam a conhecer uns ao outros e prever como reagirão, quais suas forças e fraquezas e como cada um pode contribuir para a aventura, objetivos individuais começam a ser objetivos do grupo e quando você percebe eles nem lembram mais como ou porquê se juntaram num grupo; é como se sempre tivesse sido assim. Conexão!

Nada contra aventuras one-shot, é claro! Elas podem ser bem divertidas e dão uma oportunidade de experimentar novos sistemas e cenários, ou testar idéias para jogos mais longos. E em eventos, eu particularmente quero jogar com pessoas que eu não vou ter a oportunidade de jogar em outra ocasião, então aquela one-shot salvadora vem sempre a calhar. Mas, podendo estabelecer um compromisso de uma campanha eu vou preferir esse formato.

Pelo menos até eu mudar de ideia...

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