27 agosto 2019

#RPGaDay2019 - Dia 27: Suspense

Suspense é aquela ansiedade maluca, que se sente ao acompanhar uma narrativa, para saber o que vem pela frente. É o que mantém a plateia na ponta da cadeira e alimenta o interesse pela história. É o que manteve a cabeça da Sherazade grudada no pescoço por 1001 noites. E que pode fazer parte de uma boa sessão de RPG, muitas vezes expressa pela frase de maior suspense desta atividade: "Vai ter jogo hoje?"

Claro que existem formas mais nobres e interessantes de incluir uma dose de suspense numa aventura...

Como mestre eu procuro me esforçar para plantar, durante as aventuras, sementes de expectativa sobre o que está por vir. Essa é uma técnica que eu estou apenas começando a aprender e neste ponto elas se relacionam com o tópico sobre Mistério, já abordado em um dia anterior. A diferença é que o mistério é algo que os personagens devem se esforçar para desvendar, enquanto o suspense é uma expectativa por algo que vai acontecer, e pode ou não incluir um esforço deliberado de revelação por parte dos personagens.

O tipo mais comum de suspense é o Cliffhanger: a sessão termina instantes antes de uma cena crucial. É um recurso dos mais batidos em seriados e filmes, mas que funciona muito bem no RPG. Não é tão fácil de implementar na mesa, mas eu tive ótimos resultados em sessões pelo WhatsApp. O fato da comunicação escrita permitir um certo controle da mensagem, e não ser tão imediata quanto a fala, facilita bastante o trabalho de conduzir a sessão até um momento chave e terminar bem na hora, deixando os jogadores com o coração na boca, se perguntando como aquilo vai continuar.

Existe uma boa dose de suspense também para o mestre, afinal essa não é uma narrativa comum, onde você têm controle absoluto da história, e os jogadores não são apenas uma plateia passiva. E todo mestre com alguma experiência sabe como os jogadores são imprevisíveis. Eu diria que suspense é o feijão com arroz do mestre. Até hoje eu sinto um frio na barriga de ansiedade sempre que eu sento atrás de um escudo. É impossível, pelo menos pra mim, não criar certas expectativas de como a aventura pode se desenvolver e, por conta disso, é inevitável sentir também um tanto de suspense...

Mas, ao contrário da Sherazade, o mestre não precisa terminar toda sessão num cliffhanger, nem deixar os jogadores num clima de suspense permanente. Na verdade faz parte do jogo cumprir algumas expectativas, quebrar ou subverter outras e ignorar outras tantas. Um jogo que corra suave, sem grandes suspenses, também pode ser divertido.

Exceto se você for a Sherazade...


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