20 agosto 2019

#RPGaDay2019 - Dia 20: Noble

Uma das minha aquisições recentes tem bastante a ver com o tema de hoje. Trata-se de um RPG onde os jogadores assumem o papel de guerreiros abnegados, que usam sua força, habilidade e inteligência a serviço da proteção e auxílio daqueles que precisam, muitas vezes enfrentando, sem recuar ou vacilar, perigos imensos, e tudo isso sem esperar nenhuma recompensa além do próprio bem da comunidade que eles juraram proteger.

Ah... E eles são ratos!

Faz pouco tempo que eu pus a mãos no meu exemplar de Mouse Guard e ainda não terminei de ler totalmente, mas o que eu já li me mostrou um cenário muito mais interessante do que eu imaginava. O cenário é o Território dos Ratos, um tipo de reino com vilarejos, castelos e cidades muradas, mas que é habitado por ratinhos antropormofizados. Entre esses ratos alguns deles tomaram para si o dever de proteger os demais e assim foi formada a Guarda: uma organização devotada a proteger o Território e seus habitantes, calcada em ideais de bravura, honra e altruísmo, com um código de conduta, valores e hierarquia que lembram muito uma ordem de cavalaria.

A ambientação de Mouse Guard não chamou minha atenção à toa. Esse é um jogo verdadeiramente heroico e toda a estrutura do jogo e das regras funciona para que os personagens dos jogadores sejam heróis. Eles são constantemente incentivados a agir de acordo com os ideais da Guarda e nunca em busca de ganhos pessoais. A Guarda é um instituição acima de qualquer suspeita, como deveria ser. Os inimigos estão lá fora, na forma de animais, como cobras e doninhas, e das intempéries, muito mais perigosas para seres com apenas alguns centímetros de altura.

O que não significa que os personagens sejam robôs sem personalidade ou iniciativa própria. As mesmas regras garantem que cada Guardião tenha um personalidade e maneira de pensar própria e, de tempos em tempos, um guardião irá discordar das ações ou ideias de outro, às vezes violentamente. Mas uma vez que uma missão seja dada é uma responsabilidade que os guardiões se comprometem a cumprir e o sistema incentiva isso, premiando os jogadores que cumprirem os objetivos da missão, que foram mais valorosos para a equipe ou que fizeram aquela contribuição crucial para o sucesso da missão. E o Mestre é incentivado a criar desafios que vão testar não só as habilidades dos guardiões, mas também suas crenças, objetivos pessoais e seus relacionamentos, de modo a transformá-los nos heróis que eles devem ser.

Esse é um jogo que eu estou ansioso para testar, mas não sei se ele é aplicável a qualquer tipo de jogador. Eu já tive algumas experiências ruins jogando como Paladino, interpretando o personagem balizado nos valores heroicos da classe, em meio a jogadores com uma visão mais cínica e pragmática, quando não abertamente de sarcasmo e desprezo pela própria ideia de heroísmo e altruísmo em um jogo de fantasia. Não sei se esse tipo de jogador estaria disposto a abraçar a proposta do Mouse Guard, mas acredito que jogadores com esse nível de radicalismo também sejam incomuns. No mais é só uma questão de tempo... pois A Guarda Prevalece!

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